14 janeiro 2013

Precisamos saber lidar com os limites



          O ser humano é dotado de uma dimensão de transcendência, ou seja, é da natureza humana o desejo de extrapolar os limites e de buscar brechas na realidade para ir além das fronteiras que lhe são impostas e, digamos com franqueza, isso é louvável e enobrece a existência humana.
          O Homem não se realiza e suas maiores possibilidades não se afloram quando está demasiado preso a estruturas que inibem sua liberdade e que podam sua capacidade de crescimento.
          Por outro lado, a incapacidade de lidar com limites ou sua completa inexistência também desumanizam o ser humano e o inviabilizam. Faz parte dos elementos que caracterizam a natureza humana a presença de referenciais que indicam até onde se pode ir; o que se é recomendável; o que precisa servir como ponto de alerta ou até de parada para as iniciativas e desejos humanos.
A lógica, portanto, que se deve usar é a do equilíbrio: Nenhuma estrutura pode sufocar a criatividade humana tanto quanto nenhum discurso será legítimo se defender que não há quaisquer limites a serem observados.
Nossa cultura já foi marcada por discursos explícitos que desqualificavam e reprimiam a criatividade humana. Hoje, essas iniciativas são mais veladas, mas continuam gerando obstáculos para o desenvolvimento humano.
O que predomina em nossos dias são os discursos liberais. De modo direto ou indireto somos persuadidos a aceitar que tudo pode e que não há limites a serem observados. Isso é tão ou mais danoso que os discursos repressores de outrora, pois gera um clima falso de liberdade que não passa de um império do individualismo e do egocentrismo.
Crianças, adolescentes, jovens e adultos precisam saber lidar com os limites da natureza, da vida, do convívio social. Não se é possível exercer liberdade sem levar em conta a existência de circunstâncias que, se não consideradas, levam à desumanização ao invés de levaram ao alcance da felicidade e da realização.
É bom insistir que a observância e o reconhecimento de limites valem para todas as idades: Há pais e professores que reclamam que filhos ou alunos não têm limites, mas é válido se perguntarem: como eles mesmos lidam com limites? Há muitos que não dão conta de identificarem e vivenciarem seus próprios limites.
Sem nos darmos conta, corremos o risco de extrapolar, de modo constante, diversos limites que não geram benefícios como poderíamos imaginar: o tempo que dedicamos à bebida, ao futebol na TV etc.
Mas essa preocupação precisa se dirigir a outros setores da vida e não somente, como poderiam alguns pensar, a coisas negativas. É preciso limite para o trabalho: há pessoas que trabalham além do razoável; é importante ter limite até para o envolvimento em atividades comunitárias e religiosas: há pessoas que exageram nisso deixando a desejar em outros setores da vida.
          Por fim, a melhor forma de desenvolver maturidade no trato com os limites que todos temos é o diálogo. Para o adulto, o primeiro “diálogo” é consigo mesmo, ou seja, buscar conhecer as próprias limitações e ser capaz de conviver com elas. No que se refere às crianças, o diálogo deve ser capaz de estabelecer com clareza o que pode e o que não pode ser feito, bem como de demonstrar que há tempo para tudo e que, portanto, as coisas não precisam ser feitas sempre no momento que se deseja.

04 dezembro 2012

A importância do otimismo



           Frequentemente nos deparamos com notícias ruins sendo reproduzidas de modo populista nos meios de comunicação social; de um modo geral, somos instigados até mesmo a criarmos expectativa de ver e “apreciar” cenas indesejáveis, tanto violentas como escandalosas.
          Uma das consequências dessas práticas é criar em nós uma predisposição para aceitar e cultivar sentimentos negativos que nos levam à baixa autoestima e ao pessimismo. Há o risco de reproduzirmos, sem perceber, em nossas conversas e ações, aquela mesma lógica incutida em nós através dessa linha duvidosa de noticiários. Há pessoas que ficam quase viciadas, sentem falta de assistirem essas pseudonotícias e, pior: falam demais disso em suas conversas!
          Não significa que não seja importante sabermos dos índices de violências que assolam nossas cidades ou dos atos de corrupção praticados por agentes ou funcionários públicos, mas é fundamental que questionemos sobre o grau de relevância que devem ter essas informações em nossa vida e de que modo elas podem nos influenciar negativamente.
          A proposta é que pouco a pouco sejamos capazes de inovar em nossas conversas e preocupações. Com toda certeza, há muita coisa maravilhosa acontecendo em torno de nós; precisamos desenvolver a habilidade para vê-las, senti-las e transformá-las em assuntos produtivos e estimuladores.
          A escolha entre ser uma pessoa pessimista, que reproduz notícias ruins, ou ser uma pessoa otimista e porta-voz de boas notícias é de cada um.
O otimismo é uma arte e os otimistas procuram sempre vislumbrar um lado melhor das coisas. Não significa que todos os acontecimentos tenham um lado positivo. Ser otimista não é sinônimo de ser ingênuo, mas de cultivar o desejo de encontrar o melhor da vida, das relações e do mundo.
Grande parte de nossa percepção dos acontecimentos decorre da forma como nós os olhamos e interpretamos. Uma boa metáfora para compreender essa ideia é a dos óculos. Se usarmos óculos com lentes amarelas, veremos todas as coisas nessa tonalidade. Precisamos usar óculos com lentes “cor de otimismo” a fim de que vejamos todas as coisas com tonalidade especial e positiva.
Se tivermos o hábito de olhar tudo de modo descolorido, aos poucos vamos trazendo essas sensações cinzentas para dentro de nós e vamos perdendo o prazer de viver e de nos relacionarmos. Aos poucos a tristeza e a amargura vão tomando conta da vida.
Ser otimista é investir na saúde, na alegria de viver, no bem estar próprio e dos outros. Seja otimista! Fale sobre assuntos interessantes. Fale bem das pessoas. Dirija palavras positivas e motivadoras às pessoas, especialmente de sua família. Perceba-se como alguém capaz de pronunciar palavras benditas e de ser portador de boas novas!
Veja o melhor do mundo, dos outros e das circunstâncias e viva melhor e mais feliz.

21 novembro 2012

Vilões do tempo nosso de cada dia



          Está cada vez mais comum ouvir pessoas afirmando que o tempo está pequeno ou que não têm tempo para nada! Não são raros os depoimentos de insatisfação pelo não cumprimento de atividades que dariam prazer ou aumentariam a qualidade de vida. O que tem ocorrido? Por que o tempo parece ficar cada vez menor?
          É evidente que do ponto de vista objetivo o tempo é o mesmo, ou seja, as ‘voltas’ dos ponteiros imperam igualmente sobre todas as pessoas, não há mágicas ou truques que possam interferir nessa lógica. A questão é de outra natureza: como cada pessoa gerencia ou administra o tempo!
          A despeito de todas as análises psicológicas ou existenciais acerca dessa questão e para além das várias possibilidades de análise, vale a pena responder a uma pergunta sobre os vilões do tempo: Quais são as situações ‘aparentemente’ ingênuas que ‘furtam’ o tempo das pessoas?
          Parte-se, aqui, da constatação de que as pessoas perdem muito tempo, são vítimas de armadilhas aparentemente inocentes que lhes retiram boa parte do tempo útil todos os dias.
 É claro que um bom aproveitamento do tempo inclui momentos de lazer e até mesmo de ócio. Ninguém precisa ficar permanentemente produzindo para ter a convicção de que aproveita bem o tempo.
Ficar sem fazer nada; praticar tarefas não produtivas que possibilitam o descanso da mente e do corpo; dedicar (na internet ou na TV, por exemplo) tempo para descontração; jogar algum jogo que gera prazer; dormir etc. pode fazer parte de estratégias que revelam uma boa gestão do tempo. Não é analisando isoladamente uma tarefa que se conclui pelo bom ou o mau aproveitamento do tempo.
A autoavaliação deve levar em conta a forma como estas atividades são realizadas no dia a dia e a quantidade de tempo que se dedica a elas. É necessário que uma criteriosa observação seja feita por cada pessoa. Se a prática de certas atividades acarreta o atraso de tarefas importantes, inadiáveis ou que deveriam ser realizadas naquele momento, pode estar havendo algum tipo de inversão de valores e de furto do tempo.
Para efeito de sugestão nessa análise, vale ficar atento a alguns vilões: as redes de relacionamento (facebook, MSN e outras) da internet: há uma lógica implícita nessas redes que gera o risco de manter o indivíduo ‘aprisionado’. Uma postagem leva à outra, uma pessoa leva à outra; a curiosidade é aguçada e, sem perceber, a pessoa fica muito mais tempo do que poderia ou deveria. Uma alternativa para isso é estabelecer, antes de entrar, quanto tempo você pode ficar aí e ser fiel ao que estabeleceu.
Outro vilão pode ser o celular: jogos; envio e recebimento de mensagens pouco úteis e, tantas vezes, sem conteúdos significativos; conversas desnecessárias. Quanto tempo fica perdido aí!
Há pessoas que fazem muitas coisas ao longo do dia e ainda têm tempo para as atividades não produtivas! É uma questão de uso disciplinado do tempo. Geralmente, quem diz não ter tempo para nada, dedica-se demais a atividades que poderiam/deveriam  gastar menos tempo. Como você tem administrado seu tempo?

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Invista, antes de tudo, em seus jardins interiores, para ser capaz de ver a beleza dos jardins de fora.

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