13 fevereiro 2016

Campanha da Fraternidade Ecumênica - 2016: Casa comum, nossa responsabilidade


Casa comum, nossa responsabilidade
            A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 – CFE-16 – promove amplo debate sobre saneamento básico, partindo do referencial ético de que a vida deve ser cuidada em todos os seus aspectos.
            Motivada pelo versículo do profeta Amós, a CFE-16 atualiza a esperança de “ver o direito como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (5, 24) e aponta para a função social da fé cristã (que não pode ficar restrita a cultos e templos) conclamando a sociedade a se responsabilizar pela Casa Comum.
            Segundo o texto-base da Campanha, é necessário “instaurar processos de diálogo que contribuam para a reflexão crítica dos modelos de desenvolvimento que têm orientado a política e a economia” (8), isto é, o debate específico sobre o problema do saneamento básico busca enfrentar o paradigma desenvolvimentista que, para satisfação do consumo e do lucro, tem levado Nossa Casa à exaustão.
            Os enfrentamentos dos problemas mexem com as competências do Estado, da sociedade civil e dos indivíduos. Não há como buscarmos saídas razoáveis sem que todos assumam suas parcelas de responsabilidades.
            Ao Estado, compete promover programas de infra-estrutura (em sentido amplo) capazes de garantir qualidade de vida para as pessoas: água potável de qualidade, tratamento e destinação do esgoto, manejo adequado e sustentável dos resíduos sólidos, limpeza urbana eficiente, combate e controle dos meios transmissores de doenças, drenagem e utilização viável de águas pluviais... entendendo que “a implantação do saneamento básico torna-se essencial à vida humana e à proteção ambiental” (34).
            À sociedade civil, cabe tomar consciência dos temas que envolvem saneamento básico, conhecer as legislações pertinentes ao assunto, organizar-se para cobrar do Estado que cumpra seus deveres, promover debates que ajudem as pessoas à perceber a necessidade de refazer suas opiniões e ações, investir em estratégias de educação que despertem comportamentos baseados em um novo paradigma... termos “a responsabilidade, enquanto cidadãos e cidadãs, de cuidarmos do espaço onde moramos...” (54).
            Às pessoas, no plano individual e familiar, destinam-se as mais importantes ações, pois é na família, na escola, nas relações interpessoais mais próximas que se aprendem os valores que precisam nortear as novas ações; assim, é urgente praticar e ensinar que o lixo deve ser colocado na lixeira e jamais jogado no chão, os banhos devem ser rápidos e os dentes escovados com a torneira fechada, que o consumismo alimenta uma lógica que tortura o planeta em nome do lucro, os bens coletivos devem ser tratados com cuidado e respeito, que devemos participar das discussões de interesse coletivo, a corrupção é eticamente absurda... enfim, que “cada indivíduo deve fazer a sua parte” (25).
            Somos convidados a sair da comodidade e a permitir que esse tema nos sensibilize. Abrir nosso coração e nosso intelecto para sentir e perceber que somos co-responsáveis pelo cuidado com a Casa Comum. Não há lugares para fugas, as distâncias são aparentes; estamos todos no mesmo ambiente. É preciso mudar (converter, convergir!) o rumo; é necessário ser, aqui e agora, diferente do que fomos. Devemos cuidar já da “Casa Comum, nossa responsabilidade” para vermos “correr a justiça qual riacho que não seca”.




25 janeiro 2016

Liberdade: escolha escolher!

Debater sobre liberdade é experiência antiga na história da humanidade. De certo modo, direta ou indiretamente, o homem tem grande anseio pela sensação de liberdade. O homem, especialmente após as mudanças promovidas pela Modernidade, tem necessidade de sentir-se livre e de estabelecer sua vida a partir de suas escolhas.
                A liberdade, contudo, não pode ficar no plano da vida privada ou no mundo interno do indivíduo apenas, precisa alcançar o âmbito da esfera pública e se materializar em escolhas concretas dos indivíduos; é lá, nos assuntos de interesse público, que os indivíduos precisam de espaço para exercer suas convicções, opiniões, vontades e expectativas.
                Há duas forças que precisam dialogar com o intuito de se produzir indivíduos efetivamente livres: Condições externas (a economia, o estado, a sociedade, a educação, o direito etc.) e movimentos individuais em busca do exercício da liberdade. A existência de anseio dos indivíduos pela liberdade sem o reconhecimento estrutural por parte das instituições ou ainda o reconhecimento externo da liberdade sem que os indivíduos ajam como seres livres, geram esquizofrenias dramáticas.
                O sistema jurídico brasileiro consagra a liberdade como garantia (inviolabilidade à liberdade, art. 5º), mas é absolutamente indispensável que cada indivíduo tome posse dessa liberdade e sinta-se responsável pela condução de sua própria vida e, consequentemente, pela construção do modelo de sociedade que deseja par si e para os demais. Sem que os indivíduos assumam a própria liberdade nas mãos e arquem com as responsabilidades típicas de pessoas livres, a garantia jurídico-constitucional ou qualquer voz externa proclamando que os indivíduos são livres não passará de mera formalidade; não produzirá frutos; não transformará a vida e jamais gerará um modelo melhor de sociedade.
                Tomar posse da liberdade passa por ações concretas, por atitudes práticas vivenciadas no cotidiano. Cada pessoa é convidada a fazer escolhas a partir de sua própria interpretação da vida e não agir pela cabeça dos outros. Assim, no campo da política, do consumo, da religião; na escolha de quais programas serão reproduzidos pela televisão de casa; na seleção dos alimentos e da forma de se alimentar; na quantidade de tempo que será dedicado às redes sociais; na importância que terão as etiquetas e marcas; no conteúdo das mensagens que são reencaminhadas via whatsapp ou facebook; se serão tratadas com um sorriso ou com uma ‘cara feia’ as pessoas com as quais se encontrará ao longo do dia e em incontáveis outras situações, sempre existirá grande probabilidade de que o indivíduo possa estabelecer algum grau de escolha. Haverá liberdade!

                É desafiante assumir a responsabilidade pelo tipo de vida que se pretende viver, mas nisso consiste, ao mesmo tempo, o preço e a vantagem da liberdade. Essa deve ser nossa escolha: Escolher sempre!             

30 dezembro 2015

Política e dinheiro: relações perigosas

                Para deixar de ser governado por certas oligarquias (se é que isso aconteceu de fato!) o Brasil precisou estabelecer a ideia de que o dinheiro não poderia ser usado para fazer política, ou falando de outro modo, a política não poderia servir somente aos detentores do dinheiro, mas deveria comprometer-se com outros valores e objetivos.
                Usar o dinheiro para fazer política não é visto com bons olhos nos regimes democráticos, pois os interesses financistas levam o Estado e a classe política para rumos diferentes daqueles que interessam os cidadãos. A utilização de dinheiro para fazer política é vista pelos donos do capital como investimento que gerará, no momento oportuno, lucros exorbitantes.
                Quando o sistema jurídico-político não consegue estabelecer critérios claros, fiscalização rígida e eficiente que impeçam o uso do dinheiro no campo da política, assistimos a uma inversão catastrófica: passa-se a usar a política para fazer dinheiro. O que é, afinal, pior: usar dinheiro para fazer política ou usar a política para fazer dinheiro?
                O trocadilho não pretende ser demasiado lógico, ao contrário, deseja nos permitir refletir acerca da inevitável relação das duas situações. O ciclo é, evidentemente, vicioso, mas precisamos perceber os malefícios que provoca, afinal, atrelar os ideais e sonhos políticos de uma nação aos interesses do dinheiro é sinônimo de transformar em mercadoria os valores e anseios que garantem sentido à vida.
                O que temos visto no Brasil é a utilização da política como principal forma de fazer dinheiro. Com raríssimas exceções, os políticos brasileiros ocupam cargos públicos com objetivo de aumentarem seus patrimônios, de tornarem-se mais ricos e terem mais recursos pecuniários para gastarem nas próximas campanhas eleitorais. Ser político é estar mais próximo dos mecanismos capazes de fazer com que se consiga ganhar mais dinheiro, ainda que tais mecanismos sejam sórdidos, iligais, imorais e completamente distantes dos interesses republicanos e democráticos.
                A política usada para fazer dinheiro, no sentido que estamos utilizando aqui, é uma forma de neutralizar o verdadeiro sentido da política. É um modo de fechar os olhos para a necessidade de tornarmos a sociedade um lugar adequado e confortável para o maior número possível de pessoas. É contraditório e eticamente inaceitável.

                É fundamental que fiquemos atentos a fim de não contribuirmos com essas práticas. É necessário pensarmos nas estratégias que alimentam o ciclo vicioso entre política e dinheiro: reeleições, dinheiro de empresas particulares para campanhas políticas, profissionais da política etc. enquanto o dinheiro estiver sendo usado para fazer política, a política será usada para fazer dinheiro. Essa é uma consequência praticamente inevitável.          

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Invista, antes de tudo, em seus jardins interiores, para ser capaz de ver a beleza dos jardins de fora.

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