07 novembro 2014

Vivendo um ‘não’ à corrupção!



A corrupção não é algo que existe somente fora dos homens, mas antes e acima de tudo, dentro.
            Cada vez mais vemos as pessoas ficarem indignadas com os escândalos de corrupção. Na verdade, eles vêm de toda parte: das empresas públicas; dos órgãos da administração pública direta; do poder judiciário e do legislativo; das delegacias e quartéis; das empreiteiras e bancos... enfim, das instituições em geral. Somos tomados pela nítida sensação de termos instituições essenciais e estruturalmente corruptas.
            Pior fica a análise quando nos confrontam com a tese de que tais traços de corrupção se explicam por nossa herança histórica. Nesse sentido afirmam que os primeiros colonizadores e exploradores que vieram para o Brasil eram gente da pior espécie.
Atribuir as causas da corrupção às instituições ou a supostas leituras pejorativas da história pode promover um conformismo que contribui para mascarar a realidade a respeito deste assunto, pois, cria uma separação entre a teoria e a prática, ou seja, as pessoas ficam tentadas a pensarem que a corrupção está sempre fora delas; que apenas os outros praticam atos corruptos; que a corrupção consiste em atos gigantescos... as pessoas perdem a capacidade de perceberem a importância de atos corruptos praticados por elas.
Precisamos nos perguntar, com franqueza, sobre a forma como nos comportamos quando somos confrontados com a possibilidade de escolher alguma coisa ou com a necessidade de arcarmos com a consequência de nossas ações. Devemos colocar nossas práticas diante de um espelho a fim de avaliarmos em que medida agimos corruptamente, mesmo que nas pequenas coisas do cotidiano.
O motorista que oferece suborno ao guarda de trânsito e o guarda que aceita ou pede o suborno praticam corrupção; o aluno que “cola” na prova ou que coloca seu nome em um trabalho que não participou, pratica corrupção; o profissional que não cumpre adequadamente com sua função e deixa de produzir quantitativa e/ou qualitativamente como deveria e poderia, pratica corrupção; o empregador que faz vistas grossas para não pagar ao empregado seus direitos, pratica corrupção; o candidato que compra o voto do eleitor (com qualquer tipo de moeda, inclusive com promessas irrealizáveis) e o eleitor que vende o voto, são igualmente corruptos...
É urgente ampliarmos nossa leitura sobre o sentido da corrupção. Não é possível desejarmos uma sociedade melhor e menos corrupta sem levar em conta que os pequenos atos de corrupção praticados no dia a dia ferem e inviabilizam a construção de relações sociais justas, respeitosas e equilibradas.
O discurso a respeito da importância da honestidade e as críticas contra os atos corruptos que vemos noticiados todos os dias nos meios de comunicação precisam nos fazer refletir sobre nossas ações. Precisamos ser cada vez mais honestos e isso deve ser uma atitude pessoal. Não haverá mudança se apenas esperamos a honestidade no comportamento do outro; se julgarmos que nossas ações, por serem pequenas e sem repercussão externa, são aceitas e justificáveis.
Dificilmente veremos um grande escândalo de corrupção praticado por alguém que tenha começado sua “carreira” de corrupto em algo grande. O “grande corrupto” começa devagar. Treina anonimamente nas pequenas coisas da vida. E isso é um alerta: o político desvia milhões de reais por ter condição para isso! Proporcionalmente falando, nas condições em que você se encontra, que pequenas coisas poderiam representar os grandes atos de corrupção dos quais você já ouviu falar e que acha absurdos?

28 outubro 2014

Ser moderado é diferente de ser morno

Um importante filósofo grego, Aristóteles, afirmou que a virtude está no meio, isto é, os comportamentos extremistas (sinalizados pelo excesso ou pela falta) nos distanciam da virtude e de seus frutos, assim, fugir dos extremos aumenta nossa chance de agirmos de modo virtuoso, ou seja, quanto mais equilibrados somos, maior nossa chance de sermos virtuosos e verdadeiramente felizes.
Para efeito de uma breve reflexão podemos entender que somos mais felizes quando conseguimos ser equilibrados, moderados. A vida é um imenso canteiro de escolhas e, por isso mesmo, a todo instante somos confrontados com reais possibilidades de agirmos de modo equilibrado.
Os extremos ou exageros, ao contrário, nos conduzem, quase inevitavelmente, a consequências danosas e indesejadas. Há inclusive um sábio ditado popular que diz: "tudo em exagero faz mal". Até coisas boas e necessárias como comer, beber, divertir; trabalhar, namorar, rezar, estudar... se forem vivenciadas de modo desequilibrado e em detrimento de outras atividades indispensáveis, acabam produzindo efeitos colaterais e algumas vezes sequelas terríveis.
Muitas vezes, para se esquivarem de enfrentamentos importantes da vida, algumas pessoas supervalorizam certa atividade e acabam não percebendo que fazer demais uma coisa para não se ocupar oportunamente de outra é criar mais problemas. Isso se comprova quando uma pessoa come demais para compensar uma saudade ou uma perda; quando uma pessoa trabalha demais para superar uma decepção familiar ou amorosa etc. Exceder numa coisa não resolve o problema.
Por outro lado, é fundamental que tomemos cuidado para não associarmos a noção de equilíbrio à neutralidade. Ficar em cima do muro não é ser equilibrado, mas inerte, apático.
A apatia e a inércia não são sinônimas de equilíbrio, ao contrário, podem significar até covardia. A vida é exigente e espera de nós posturas decisivas e claras. "Ficar em cima do muro" é escolher não viver; é declarar que aceitamos qualquer coisa que a vida nos dê; é abrir mão de ser sujeito da própria história. Isso nada tem a ver com viver virtuosamente e feliz.
Há pessoas que, por confundirem equilíbrio com falta de posicionamento, deixam a vida passar sem registrarem suas marcas. Há profissionais em todas as áreas que se pautam pela mediocridade sob a desculpa de serem equilibradas. Ficar na média ou se contentar com o mínimo é diferente de ser equilibrado, aliás, nesse sentido, muitas vezes, "média" é sinal de desequilíbrio.
Precisamos aceitar os desafios e nos posicionarmos diante deles; precisamos estabelecer metas e nos empenharmos para realizá-las; precisamos ir ao encontro de nossos ideais; não podemos ser mornos, passivos, sem opinião; não podemos ser conformados ou insensíveis diante dos estímulos que a vida nos oferece.
Olhar a vida de cabeça erguida: aguerrido, mas não agressivo; pacífico, mas não passivo; participativo sem ser invasivo; cuidador sem ser controlador... Ter consciência de que a vida já é o espetáculo e não o ensaio. De modo ponderado viver intensamente cada instante na certeza de que a vida nos cobra caro pelos excessos cometidos bem como pelas inércias.
Ser equilibrado sem ser mediano. Ser quente ou frio, jamais morno!

11 setembro 2014

Eleições: quais são as funções dos cargos que preencheremos?

Estamos nos preparando para mais um importante momento na vida política de nosso país. Iremos às urnas no início do próximo mês para escolhermos ocupantes para os cargos de Presidência da República, Senador, Deputado Federal, Governador do Estado e Deputado Estadual. Antes de reafirmar que o eleitor precisa ser responsável e consciente no momento de fazer sua escolha, é indispensável relembrarmos, mesmo que superficialmente, as funções de cada um dos cargos que iremos preencher.
A principal função do Presidente da República é administrar os interesses do Estado e da sociedade. Está sob sua responsabilidade montar a equipe de trabalho que irá estabelecer a escolha das ações que interferirão diretamente na vida dos indivíduos, tais como: valor da taxa de juros; quantidade de recursos que serão investidos nas políticas sociais etc.
O Senador é um defensor dos interesses do Estado que ele representa. Cada Estado da Federação (Minas Gerais, Acre, Paraíba, Tocantins, Paraná etc.) tem 03 senadores. Seu papel é cuidar para que não sejam estabelecidas escolhas políticas que deixem seu Estado em desvantagem. A boa atuação dos Senadores proporciona equilíbrio e igualdade entre os Estados e Regiões do Brasil.
O Deputado Federal é um representante direto dos interesses da sociedade. É aquele que deve estabelecer o link entre a expectativa do povo e o parlamento (lugar da fala!). Sua principal função é elaborar leis que garantirão a estabilidade social e a materializarão dos direitos individuais e sociais previstos na Constituição da República. É também um importante fiscalizador das ações do Governo Federal (Presidência da República e sua equipe).
A função do Governador do Estado assemelha-se à função do Presidente da República. O Governador deve montar a equipe de Governo e, tanto quanto o Presidente da República, ser responsável pelas escolhas que faz. É a partir do trabalho de sua equipe que serão definidos os salários e a forma de tratamento com os servidores públicos; a qualidade da educação pública e da merenda escolar; a manutenção ou não das rodovias estaduais etc.
O Deputado Estadual é o legislador e o fiscalizador no âmbito estadual. Deve propor projetos de lei que representem as expectativas dos cidadãos. O Deputado Estadual é um porta-voz mais próximo das necessidades do povo e deve levar as principais carências de seu povo para o debate na Assembleia Legislativa.
Além das qualidades específicas para o cargo que pretende exercer, há algumas características que precisam ser encontradas em toda pessoa que pretende exercer uma das funções públicas acima mencionadas. Assim, seguem algumas dicas:
O Candidato precisa ter envolvimento com o povo; precisa ter o cheiro do povo, ser alguém com envolvimento nas questões sociais. Não pode ser alguém que aparece de tempo em tempo só para ganhar o voto e se eleger.
Para exercer quaisquer das funções acima, a pessoa precisa ter ficha limpa, não só do ponto de vista jurídico, mas também do ponto de vista moral. Gente que não é de confiança não deve ser exercer cargo público, pois tem maior probabilidade de praticar corrupção.
Por fim, é muito bom ter cuidado com o político profissional. Esse pessoal que nunca está fora do poder, que sempre dá um jeito para ganhar alguma coisa com a política. Geralmente esse tipo de gente está preocupado mesmo é com seus próprios interesses.

Pesquise sobre o tema; converse com alguém de sua confiança; pense bem! Faça bem feito para não ficar com a sensação de "culpa" por ser representado por péssimos políticos. 

UM ESPAÇO A MAIS!!!

Blog dedicado à partilha de informações e materiais de apoio das disciplinas que leciono e à publicação dos artigos que escrevo. Espaço virtual de democratização da busca pelo saber. "Espaço" reservado à problematização e à provocação! Um potencializador das indagações nossas de cada dia. Um Serviço!

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"Quem não tem jardins por dentro não planta jardins por fora e não passeia por eles" (Rubem Alves).

Invista, antes de tudo, em seus jardins interiores, para ser capaz de ver a beleza dos jardins de fora.

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