26 julho 2016

Eleições municipais: renovação das possibilidades de representação (1)

            Aproxima-se a possibilidade de renovarmos o perfil das pessoas que nos representam em nível municipal. Escolheremos a pessoa que chefiará o executivo: prefeito (a) e vice-prefeito (a); e as pessoas que ocuparão as vagas da câmara municipal: vereador (a). Trata-se de um momento de grande relevância para a história de nosso país, afinal, grande número das coisas que afetam diretamente nossa vida prática, passa pelas ações/omissões das autoridades municipais.
            Nosso país passa por uma séria crise no campo da política. Nossos políticos, com raríssimas exceções, estão envolvidos em práticas imorais e criminosas além de estarem reféns dos patrocinadores de suas campanhas. Estamos pessimamente representados e, com razão, temos direito à desilusão. Mas, ainda que estejamos desiludidos, é válido manter viva uma centelha de esperança que nos estimule a pensar nas questões políticas. Assim, alguns critérios podem servir de referência para nossas reflexões.
            A legislação eleitoral proibiu, já para esta eleição, a doação de pessoa jurídica para os candidatos, mas é preciso ficar atento para que a lógica da doação não continue predominando e definindo as eleições. Se um candidato recebe altos valores em doação, ou gasta muito dinheiro próprio na campanha política, é indício de que o interesse público ficará em segundo lugar, afinal, o dinheiro aparentemente doado, funciona como investimento e será recuperado (com lucros grandiosos) quando o candidato assumir o cargo. Campanhas mais simples e baratas chamam menos a atenção, mas podem representar menos riscos para o interesse público.
            A profissionalização da vida política é um risco. Há pessoas que se especializam em disputar eleição. Toda campanha a figura aparece na praça. É preciso tomar muito cuidado com esse tipo de candidato (a) e ser crítico: a quem mais interessa a re-eleição dessas pessoas: a elas mesmas ou ao povo? Tem gente que se acostuma a ganhar o ‘salário’ de vereador ou de prefeito, mas sua história não revela comprometimento com os interesses da coletividade. E atenção: interesse da coletividade não é ficar fazendo favor para um ou para outro; é estar comprometido com assuntos que beneficiem a população geral de uma cidade.
            Outro critério importante é o da representatividade. Precisamos votar em quem nos representa de verdade. Devemos fazer uma avaliação da história da pessoa em quem iremos votar e verificar se as lutas dessa pessoa dialogam com as lutas da sociedade. Votar porque é da família; porque é compadre; porque é colega de trabalho ou vizinho; porque é da minha igreja ou de meu movimento pastoral... votar apenas por esses motivos e sem identificar algo que indique que a pessoa tem uma história de representação e de luta é um risco. Ninguém é bom político somente porque é bom na vida particular, familiar ou religiosa.

            Vamos refletir seriamente sobre esse assunto: cuidado com quem usa muito dinheiro em campanha; com figurinha repetida e com candidato bonzinho demais!

28 junho 2016

O Bom senso: guia das boas escolhas

Encontrar a justa medida não é tarefa fácil. O filósofo grego Aristóteles, ao defender que o lugar do comportamento virtuoso é o meio-termo, deixou-nos uma dica muito interessante, mas desafiante. Muitas vezes é difícil sentir-se seguro com relação ao comportamento que representa a melhor escolha no caso concreto.
A vida é repleta de situações que desafiam nossos valores. Frequentemente somos colocados diante de encruzilhadas que mexem com “convicções inegociáveis”. Nesses momentos o bom senso é a dica. Buscar uma solução que seja razoável e equilibrada torna-se a melhor recomendação.
O risco que se deve evitar, é indispensável que se diga, é o de transformar a busca do bom senso em forma de esconder interesses escusos ou de justificar ajeitamentos que beneficiem algum tipo de interesse incompatível com a própria noção de bom senso e equilíbrio. A busca do bom senso deve ser embasada e permeada pela honestidade. A desonestidade é, por si, a negativa explícita ou não, da predisposição para não agir virtuosamente: nossa discussão aqui está presumindo a boa-fé.
Outro equívoco ruim é o de associar a predisposição para busca de bom senso ao relativismo, ou seja, considerar que não há referenciais que balizam as ações humanas individual e socialmente. Buscar ou construir uma solução sensata para um conflito não é o mesmo que transformar, por intermédio da retórica, por exemplo, o que não é lícito ou moral em algo certo sob o ponto de vista de quem precisa justificar determinada ação. Relativizar os valores sob a alegação de que se busca o bom senso é suspeito, no mínimo.
Por fim, o fantasma da omissão ronda o bom senso. Omitir é assumir uma posição: aquela escondida por trás da aparente ideia de que o não posicionamento é inofensivo. Muitas vezes, é claro, o bom senso nos recomenda agir de modo brando ou até mesmo aguardar o desdobramento dos fatos, mas isso não pode confundir-se com a inércia que gera omissão diante da vida. Ficar omisso é contrário ao bom senso!

Aproveitemos as oportunidades que a vida nos concede para exercitar escolhas sensatas. Pense em seus desafios e tenha bom senso. 

29 abril 2016

Pela defesa do direito de desiludir

            A ilusão, entendida como certeza de que há o melhor no outro, desempenha importante papel na vida das pessoas. Sujeitos iludidos mantêm viva a esperança e acreditam que as pessoas, famílias e instituições estarão sempre praticando e ofertando o que existe de melhor. Definitivamente a ilusão representa um papel importante na gestão e coesão sociais.
            De certo modo somos seres de ilusão. Iludimo-nos com familiares e nutrimos a certeza de que jamais nos decepcionarão; iludimo-nos com as religiões e seus líderes certos de que são exímios cumpridores da moral e da doutrina que pregam; iludimo-nos com os políticos e seus partidos na certeza de que são justos e reais defensores das ideologias propagadas por seus discursos. Gostamos, e talvez dependamos, dessas estratégias ilusionistas para nos sentirmos mais seguros.
            Mas é preciso lembrar-se da legitimidade do direito de desilusão. Todos têm o direito de desiludir com todo e qualquer projeto, ainda que essa desilusão não deva ser tão duradoura, precisa ser vivenciada com naturalidade.
            O direito de desilusão decorre da existência inevitável das contradições que perpassam as realidades humanas. Não é possível imaginar qualquer construção racional-cultural humana que não traga consigo algumas contradições.
            Das contradições nascem as decepções e, consequentemente, as desilusões. Somente uma realidade plenamente perfeita não estaria marcada por antíteses, decepções e desilusões, de modo que desiludir-se constitui marca da vida, sendo inevitável.
            À sociedade, digo melhor, às pessoas, compete respeitar o direito humano da desilusão, pois cada pessoa, a seu tempo e a seu modo, por seu próprio motivo, irá passar igualmente por processo similar de desilusão, logo, nesse aspecto somos todos muito iguais.
            Quando uma pessoa ou um grupo passa adequadamente pelo processo de desilusão e vivencia comedidamente seu luto, fica preparada para construir novos processos ilusórios; fica apta para re-iludir-se! Iludir-se com novas promessas e possibilidades...

Reconstruir uma boa ilusão requer exercer o livre direito da desilusão.  

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Blog dedicado à partilha de informações e materiais de apoio das disciplinas que leciono e à publicação dos artigos que escrevo. Espaço virtual de democratização da busca pelo saber. "Espaço" reservado à problematização e à provocação! Um potencializador das indagações nossas de cada dia. Um Serviço!

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VAMOS CONSTRUIR UM ANO CHEIO DE CONQUISTAS:

"Quem não tem jardins por dentro não planta jardins por fora e não passeia por eles" (Rubem Alves).

Invista, antes de tudo, em seus jardins interiores, para ser capaz de ver a beleza dos jardins de fora.

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"Existem pessoas que choram porque as rosas têm espinhos...

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